31/03/2011

Onde leva o Contato-improvisação...


Leandro Menezes e Flavia Faria fizeram um curso de contato-improvisação com Giovane Aguiar durante uma semana.  Segue seus relatos/reflexões sobre a experiência:


Contato...

Durante uma semana fui desafiado... Me desafiei ao limite, desafiei a minha calma, desafiei minha pressa, desafiei a forma, desafiei o peso, o meu peso, o peso do outro, desafiei a gravidade, mais uma vez eu digo, eu me desafiei. Acho que todos deveriam vivenciar o contato improvisação. Independente da técnica, das grandes saídas do chão, o que mais valeu e enriqueceu essa experiência, foi o toque no corpo do outro. O corpo do outro como extensão do meu corpo e do chão. Meu corpo dilatou, meu corpo cresceu, o chão me apaixonou. O estar no chão durante 1 semana tornou-se uma necessidade de buscar uma liberdade. E por que não o ar? O ar, a velha e boa ausência de solo. É perceptível que o sair da concretude do chão me desconforta, me desequilibra, e mais uma vez, me desafia, aliás, desafia não, me “desafina”. Nesse momento não sonho, não devaneio, não entro em algum estado de criação, eu simplesmente me desorganizo, me desalinho, me desespero. O ar, a ausência de chão, de domínio, me desestrutura. Quem sempre foi base, não sabe ser ar. E quem não sabe ser ar, não aproveita para se arriscar, não aproveita para se lançar, não aproveita para confiar. Do meu corpo eu sei cuidar, será que do meu corpo o outro sabe lidar?Após uma semana de trabalho, reflito, reconheço muitas lacunas, limites borrados, mas me surpreendo ao querer ir mais, me desafiar mais.

Leandro Menezes




Contato, improvisação e transformação


Fiz contato com o passado. Voltei a algum lugar da minha infância e lembrei do jardim da casa da minha bisavó Maria Luíza. Meu flash de memória não foi sobre nenhum acontecimento ou situação específicos. Foi simplesmente uma sutil sensação, um sentimento gostoso do fato de estar naquele jardim tão florido, cheio de roseiras, e sentir um conforto indescritível. Não me lembro de ter tido acesso a essa lembrança em nenhum outro momento da minha vida. Nessa semana do workshop estudamos a pele, os músculos e os ossos, e para mim ficou claro que entre todas essas camadas existe muito mais memória e informação do que se pode imaginar. Ter acesso a isso, foi uma experiência única e enriquecedora.

Contactei também o presente, no sentido de reconhecer na minha forma de dançar, de rolar no chão e fazer os exercícios de peso, alguns aspectos próprios que encontro no meu dia-a-dia. Isso ocorre na forma de enxergar o mundo e conseqüentemente de me relacionar com as pessoas e comigo mesma. Me observei compreendendo minhas reações, e selecionando o que eu queria manter, e o que eu já não queria mais. Continuo nesse estado até agora e penso ter aberto um espaço para que ele permaneça.

Enfim posso dizer que acabei contactando o futuro. Tenho certeza de que essa soma de sensações e percepções tornará mais completa a minha busca pela consciência corporal e autoconhecimento. Influenciará também as minhas escolhas, e a forma de encarar o que a vida apresentar. Em uma semana muita coisa se transformou, e sobre todos os sentimentos se destaca a gratidão. Sinto-me grata às oportunidades, aos encontros, e sobretudo, de estar consciente de pelo menos parte dessa transformação.

Flavia Faria



Foto: Luciana Lara

27/03/2011

Reforma do blog


Prezados leitores e seguidores do blog,

Como vcs já devem ter notado, estamos fazendo uma reforma no blog. A maior novidade é que agora acrescentamos algumas páginas fixas com informações sobre a Companhia. Devagar, esperamos que a reformulação possa fazer com que algumas informações sejam mais fáceis de achar! 

27/02/2011

Resta pouco a dizer - Ajudando a divulgar!



O bailarino e ator Leandro Menezes está participando do projeto TEATRO VISUAL: O QUE AINDA NÃO TÍNHAMOS VISTO?  do Núcleo de Pesquisa Resta Pouco a Dizer de Brasília -DF, dirigido pelos diretores Fernando e Adriano Guimarães com um intercâmbio com a companhia mineira de marionetes Pigmalião Escultura que Mexe, sediada em Belo Horizonte. A programação composta por diálogos, peças, performances e oficinas faz a ocupação da FUNARTE  de Brasília -DF que começou no dia 28 de janeiro e ainda se estende até 18 de março.

Foto  de Ismael Monticelli

Hoje, domingo, dia 27/02 ás 20h, no Teatro Plínio Marcos - Complexo Cultural FUNARTE
é a última oportunidade para ver RESTA POUCO A DIZER. ( com as peças curtas de Beckett : Respiração Mais, Catástrofe, Ato sem Palavras II, Jogo, Respiração I e II, Respiração Embolada )
Ingressos: R$ 10,00 e R$ 5,00

Catástrofe, de Samuel Beckett. Com Michelly Scanzi, Otávio Salas e Valéria Rocha .

Ato sem palavras II, de Samuel Beckett.Com Bruno Torres, Leandro Menezes e Mateus Ferrari.

Jogo, de Samuel Beckett.Com Camila Evangelista, Diego de León e Michelly Scanzi.

Direção de Adriano e Fernando Guimarães.


Respiração I e II e Respiração Embolada, performances de Adriano e Fernando Guimarães.
Com Bruno Torres, Camila Evangelista, Diego de León, Kaká Taciano, Leandro Menezes, Mateus Ferrari, Michelly Scanzi, Otávio Salas, Tati Ramos,Valéria Rocha.




                          


Foto de Lenise Pinheiro

Para  a programação completa e saber mais sobre a proposta acesse:  http://teatrovisualocupacaofunarte.wordpress.com/


23/02/2011

Frases ouvidas durante as intervenções urbanas



Por  Marcela Brasil :


"Não, ela não está passando mal... está dançando"

"Ei, vc faz parte deste grupo que tá fazendo arte?"

"Acho que ela não faz parte daquele grupo"

"Pode começar gente, pode ficar a vontade" (a gente já tinha começado)

"Deixa!!! Eles estão fazendo apresentação de dança"

"Moça, vc tá bem?"




 Por Luciana Lara:


"O que é que é isso, gente?"

"Parece coisa de criança."

" E  isso é arte?  Outro respondeu: Dizem que é..."

"Eles tem permissão para fazer isso..."


16/02/2011

Dança contemporânea da Anti Status Quo hoje no metrô de Brasília !

Hoje faremos uma série inédita de  intervenção urbana com dança contemporânea no Metrô de Brasília !


JAMAIS SEREMOS OS MESMOS é uma série de intervenções urbanas que leva a dança contemporânea para as ruas da cidade. As intervenções são performances coreográficas que trabalham a partir das especificidades de um espaço público escolhido, explorando seu potencial imagético, cênico, poético e simbólico. É brincando com a percepção, por meio do corpo e do movimento dos bailarinos na relação com o ambiente urbano, que as intervenções buscam revelar detalhes do espaço que não são percebidos à primeira vista; questionar os hábitos e costumes; fazer pensar sobre a condição humana urbana, o público e o privado e as relações sociais e políticas. A dança no contexto da rua pode criar uma janela para a reflexão poética, a imaginação e o devaneio no cotidiano prático e burocrático de um dia comum.


Serviço:

Hoje, dia 16/02 a partir das 14h

Metrô de Brasília

Estações central . Guará . Águas Claras . Praça do Relógio . Furnas

Com os bailarinos interventores: Leandro Menezes, Marcela Brasil, Flavia Faria e Cleani Marques

Entrada franca ( na verdade: 3 reais, pois vc tem que entrar no metrô!)